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Mensagem conjunta do Presidente e CEO

Caros Acionistas,

O ano de 2017 demonstrou novamente a capacidade de execução e de entregar resultados do Grupo num contexto de elevada exigência, confirmando que a estratégia que delineámos e que temos vindo a implementar é acertada.

O enquadramento macroeconómico do ano que agora termina foi favorável em termos do crescimento económico, que atingiu máximos desde 2011. No entanto, o clima de incerteza continuou presente, em resultado do aumento das tensões geopolíticas, do protecionismo comercial e do nacionalismo económico que ocorreu durante o ano entre algumas das principais economias mundiais. A nível interno, o ano ficou marcado pelos incêndios de grandes proporções que atingiram o País e que provocaram um elevado número de vítimas humanas. A todas as famílias afetadas por esta tragédia expressamos a nossa profunda consternação pelo sofrimento vivido.

Neste enquadramento, o desempenho do Grupo foi positivo, com a maioria dos indicadores a compararem favoravelmente face ao ano de 2016. O volume de negócios atingiu os 2.165 milhões de euros, 4,3% acima do registado no exercício anterior, o EBITDA aumentou 2,4% face ao ano de 2016 para 501 milhões de euros e o resultado líquido foi de 124 milhões de euros, traduzindo um crescimento de 8,0% relativamente ao ano anterior.

Em 2017, o Grupo demonstrou uma vez mais a forte capacidade de geração de cash flow operacional, o qual atingiu os 422 milhões de euros, um decréscimo de 2,7% face ao ano anterior, permitindo reduzir a dívida líquida consolidada para 1.674 milhões de euros, em linha com uma postura conservadora face ao endividamento. A tendência de redução do nível de endividamento que se tem vindo a verificar permite reforçar a solidez e o perfil de baixo risco do Grupo, bem como prepará-lo para responder a oportunidades criadoras de valor que se venham a colocar no futuro.

Neste contexto, as ações da Semapa registaram uma performance positiva durante o ano transato, tendo atingido uma valorização de 33%, acima do desempenho do PSI20 (+15%).

No segmento da pasta e papel, a Navigator registou uma evolução muito positiva alicerçada num bom desempenho de todas as áreas de negócio e em máximos de produção em algumas das suas unidades industriais. Na pasta, tirando partido da conjuntura favorável da procura e da consequente evolução dos preços, a Navigator registou um crescimento de 19% nas vendas. No papel, apesar de um enquadramento mais desafiante mas onde, ainda assim, foi possível implementar quatro aumentos do preço de venda, foram vendidas 1.578 mil toneladas, em linha com o ano anterior (-0,5%), e melhorado o mix de produtos, com mais vendas no segmento premium. Destaca-se ainda um crescimento de 10% nas vendas do negócio de tissue, a beneficiar do crescimento económico, nomeadamente no setor do turismo, e da área da energia que cresceu 13%, impulsionada pelo aumento do preço do brent.

Tudo isto resultou num crescimento substancial do volume de negócios para 1.637 milhões de euros, traduzindo uma variação de 3,8% face ao ano anterior. O EBITDA também cresceu para os 404 milhões de euros, 1,6% acima do registado em 2017, tendo para isso contribuído a dinâmica permanente de melhoria da eficiência operacional, que continua a ser um dos principais focos da Navigator. Nesse contexto, foram lançadas e concretizadas com sucesso durante o ano de 2017 um conjunto amplo de iniciativas de redução dos custos de produção. Este conjunto de medidas de melhoria do desempenho da Navigator, essencial para manter a competitividade frente a uma concorrência cada vez mais agressiva, assume ainda mais relevância à luz da recente concretização da alteração legislativa do Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização, a qual terá impactos significativos no custo da madeira suportado pela empresa a médio/longo prazo.

2017 voltou a ser um ano forte em termos de investimento, dando continuidade ao ciclo de crescimento iniciado em 2015, tendo sido iniciados dois importantes projetos: a construção de uma fábrica de tissue em Cacia e a ampliação da capacidade de pasta no Complexo Industrial da Figueira da Foz. Estes investimentos irão prolongar-se em 2018 e envolvem um montante total de cerca de 205 milhões de euros, dos quais 70 milhões já foram despendidos em 2017. Nota ainda para a decisão de alienar o negócio de pellets que a Navigator desenvolveu nos Estados Unidos da América por 135 milhões de dólares, com impacto financeiro no próximo exercício, na sequência de uma oportunidade financeira atrativa numa área de negócio não-estratégica da empresa.

No segmento do cimento, o ano que agora termina foi também globalmente positivo, o que não deixa de ser notável, tendo em conta os contextos desfavoráveis que a Secil enfrentou em algumas das geografias onde está presente. Assim, com a exceção do mercado interno Português, que finalmente tem vindo a apresentar sinais positivos e a registar um aumento do consumo de cimento, em virtude do maior dinamismo do sector da construção, os mercados externos onde a Secil atua foram marcados por quedas no consumo de cimento, instabilidade política e, em alguns casos, pressão concorrencial elevada.

Neste contexto, a Secil apresentou um crescimento de 6,2% no valor das receitas, que atingiram 500 milhões de euros, com destaque para as performances positivas de Portugal (+16%) e do Brasil (+11%). O EBITDA apresentou igualmente um aumento assinalável de 4,3% face ao ano anterior, totalizando 89 milhões de euros. Salienta-se, neste caso, a performance registada em Portugal (+8,0%), e em particular das unidades de betão pronto e dos outros materiais de construção que cresceram a mais de dois dígitos, e no Líbano (+9,8%), que mais do que compensaram as quebras registadas na Tunísia (-15%) e no Brasil (-26%).

Não obstante o outlook positivo dos contextos de mercado em algumas das suas geografias, a Secil lançou também o projeto Return, um programa integrado e extremamente ambicioso de melhoria do seu desempenho operacional e comercial que abrange todas as suas geografias e que se destina a assegurar uma progressão positiva e continuada da sua capacidade de geração de resultados. Como consequência do esforço de implementação das medidas de melhoria interna previstas neste programa, registaram-se já este ano em praticamente todas as geografias diminuições nos custos de produção, o que contribuiu para a manutenção de uma margem operacional em linha com o ano anterior (18%).

O segmento do ambiente também evolui de forma favorável, tendo o Grupo ETSA registado um volume de negócios de 29 milhões de euros, um crescimento de 8,5% relativamente ao ano de 2016, em resultado dos aumentos significativos dos preços de venda dos principais produtos acabados e das prestações de serviços. Em consequência do aumento das receitas e do controlo dos principais custos, o EBITDA aumentou 12% face ao ano anterior, atingindo 8 milhões de euros, e a margem cresceu para os 27%.

Os bons resultados acima descritos, que estão em linha com o percurso de sucesso e de criação de valor que o Grupo Semapa tem vindo a trilhar desde a sua fundação, não teriam sido possíveis sem o contributo dos nossos colaboradores, clientes, fornecedores, órgãos sociais do Grupo, instituições financeiras e demais parceiros, e também dos nossos acionistas. A todos, o nosso sincero reconhecimento e agradecimento.

Temos plena consciência que o enquadramento de incerteza e enorme exigência que temos vindo a enfrentar vai continuar presente nos próximos tempos. Estamos, no entanto, convictos de estar bem preparados para ultrapassar com sucesso os desafios que se nos vão colocar, tendo sempre em perspetiva e como referência sólida os valores e os princípios que estão na génese e que são intrínsecos ao Grupo Semapa. É por isso com confiança e determinação que encaramos o futuro.